Thursday, July 30, 2009

Sagitário&Leão

Quando ela nasceu não surgiu nenhuma nova estrela no céu fluminense, ela nem mesmo nasceu no Rio. Seus olhos não eram de cigana, tampouco oblíquos e dissimulados. Não era Diva, Lucíola ou Helena. Não havia uma descrição na literatura na qual ela se encaixasse, mas ainda sim tinha um ‘quê’ de heroína. Talvez porque sua história pudesse ser a de qualquer uma, ou porque Ele pudesse ser de qualquer uma?! Mas fato é que Ele era dela e definitivamente aquela era uma história singular.

Fosse pela combinação explosiva, Sagitário&Leão, fosse pela sequência em que os fatos aconteceram, a história entre aquela heroína sem folhetim e o indecente contador de histórias não tinha nada de comum. De início tiveram um primeiro encontro nada convencional. Ela que raras vezes na vida ousara calçar um salto agulha decidira sair aquele fatídico dia de julho no topo de um. Por obra do destino ou sabe lá do que, naquele mesmo dia enquanto estava a caminho do trabalho seu chefe lhe telefonara e a incubira de ir ao encontro de um excêntrico escritor pouco conhecido, mas de grande futuro, com quem a editora na qual trabalhavam vinha flertando. Ele queria discutir a respeito do perfil da empresa e se a mesma atendia às necessidades dele, aos ideais dele. Ela teve a sensação de que seria um dia daqueles. Se dirigiu ao bendito encontro. Falar sobre a editora seria fácil, ela amava aquele ambiente. Aguentar o mala do escritor é que seria o problema. Ela não se lembrava de ter visto uma foto se quer do abençoado. Estava confiando na descrição que seu chefe lhe fizera, e no garçom que no hotel lhe indicaria a mesa em que o Sr. Mendez a estava esperando pro café. De repente começou a achar que o salto tinha sido uma boa escolha, estava mais elegante. Chegara ao local, mas ele não estava no café do hotel. Decidiu sentar-se a uma das mesas, pediu a um dos garçons que a avisasse quando o Sr. Mendez entrasse no salão ou o conduzisse à mesa em que ela se encontrava. Pediu uma xícara de café, abriu o seu notebook a procura de uma apresentação de slides que ela havia confeccionado sobre a editora e que havia impressionado bastante o ultimo escritor que contrataram. Estava distraída quando uma perfume divinamente masculino adentrou suas narinas e uma voz rouca pronunciou seu nome.

- Pois não - levantou o olhar e engoliu seco. O Sr. Mendez era lindo! Seu chefe não havia lhe dito isso. Sempre que se falava dele na editora, a conversa girava em torno da excentricidade do escritor, jamais ouvira alguém referir-se aos belos atributos daquele senhor. Sim, um senhor. Para ela que tinha vinte e poucos anos, aquele homem podia perfeitamente ser seu… pai! Aham! Ele tinha quase uns cinquenta. Que charme têm os homens nessa idade! Informação e experiência, é tudo de bom. Ela então se levantou pra cumprimentá-lo. Foi nessa hora que se deu o desastre absoluto. Ela acabou esbarrando na mesa, o que fez com que a xícara de café oscilasse, com medo de que o líquido negro destruísse os gigas de informação contido naquele black piano repousado sobre a mesa ela avançou sobre o mesmo e logo em seguida afastou-se, desequilibrou-se sobre o salto agulho e foi de encontro ao chão. O mico do século. Como uma editora em via de assinar um contrato promissor manda uma funcionária tão estabanada lhe representando? Nitidamente divertindo-se com aquela situação, Sr. Mendez estendeu a mão e ajudou-a a se levantar. Ela completamente embaraçada já não sabia o que dizer. Tinha a certeza de que se houvesse um avestruz por ali, disputaria o buraco com ele. Salto agulha acabara de entrar para seu Index Proibidex. O querido escritor, certificado de que ela estava bem ( o que ela poderia dizer? Ai meu bumbum?), direcionou a conversa para o possível contrato. Momentaneamente fez com que ela esquecesse o quanto envergonhada estava. Enquanto tomava algo do tipo café com chantilly, ela apresentou-lhe os slides e ele falou sobre o projeto do novo livro. Ele era bem articulado, como ela imaginou que fosse. Não parecia excêntrico. Não mencionou ceitas estranhas da qual fosse membro ou estava vestido de maneira extravagante. Na verdade estava bastante elegante e charmoso. E tinha um olhar… putz. Que olhar! O cara era tudo de bom. Duas horas depois, particularmente, ela sentia que o contrato estava fechado. Levantou-se, agradeceu a atenção e desculpou-se pela cena que protagonizara. Enquanto fixava o olhar nos lábios dela, ele enfatizara o quanto adorara sua companhia. Disse que se pudesse fazer algo para impedir que um hematoma surgisse em tão formoso traseiro, ele faria. “O quê? Ele disse isso mesmo? Aquilo era uma cantada?” Com essa observação quanto a sua formosura, ela incomodada com o ‘abuso’ daquele senhor, estendeu-lhe a mão a fim de sair daquele ambiente… ‘que manhã! Ele sustentou o aperto de mão por mais tempo que o necessário, e então permitiu que ela se fosse.

Enquanto dirigia de encontro a editora ela repassava os acontecimentos daquela atribulada manhã. Será que era culpa daquele bendito salto agulha? Fosse ou não fosse, ela decidira aposentar temporariamente aquele sapato.

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Friday, July 10, 2009

Para Leminski

Não sei porque o grito?!
         Se me olham de esguelha
                        Já me sinto aflito.

Não tenho medo da morte
Se tenho o presente
Encontro o que me conforte.
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Wednesday, July 8, 2009

We are the world…

- O que terá sido verdade, o que terá sido mentira? Seria ele uma boa ou má pessoa?
- Um mito.

Ao som de: Human Nature - Michael Jackson

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Monday, July 6, 2009

Devaneio


É escuro
É perfeito
Completo, sem jeito

É humano
É errado
Indiscreto, apaixonado.

É distante
Fascinante
Excitante e muito vago.

É plano
É sonho
É concreto e abstrato.

Ao som de: A Pessoa Errada - Paulo Ricardo

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Saturday, July 4, 2009

Era só uma questão de tempo. Logo, ela caíria em si. Era óbvio que se tratava de uma situação constrangedora… tudo ia passar. Bastava fingir como tantas outras vezes fizera. Um sorriso plástico no rosto mantido por alguns minutos, e na primeira oportunidade… cairia fora. Pronto. Seria mais um capítulo encerrado.  Mais uma sensação de ‘pequenice’. Mais uma lembrança ridícula que ela coloraria no velho pote de frustrações.

Ao som de: Uninvited - Alanis Morissette

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Friday, July 3, 2009

Vermelho

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Wednesday, July 1, 2009

Palavras

Tantas coisas pra falar, pensamentos inacabados, loucos pra saírem por aí … impropérios e/ou verdades absolutas (tudo é uma questão de ponto de vista), numa mescla de confusão e realismo, evidentemente nascidos da minha mente paradoxal. Fato é que mergulhei novamente no meu recanto das letras. Sucumbi aos calores envolventes das palavras, como já fiz inúmeras vezes. Geralmente quando cedo a essa voluptuosa avidez literária, permaneço por um tempo aquém de tudo e com uma instropeção absurda. As engrenagens do meu cérebro tentam absorver e acomodar todo esse ‘oléo de máquina’ advindo das artimanhas grafadas nas inúmeras laudas recém devoradas.

A Cabana, de William P. Young (Ed. Sextante)

A Cabana é mais um daqueles livros que tem mais fama do que qualquer outra coisa. Decidi lê-lo por indicação de um amigo. No fundo achei a sinopse interessante - acredito que a venda desse livro se deve muito a quem escreveu a orelha do mesmo, mas o livro é monótono. Caraca, uns diálogos chatos, pacas. O esclarecimento a respeito da Santíssima Trindade é interessante, a idéia é boa mas o desenvolvimento pecou pela chatice. Não sei se foi meu estado de espírito, mas A Cabana foi um dos livros em que mais me faltou entusiasmo pra chegar até o final, e só o fiz porque me destinei a fazê-lo. Muitas pessoas vão gostar,  afinal muita gente quer saber o porque de certas coisas tão ruins acontecerem em suas vidas, e confesso que achei boa a explicação apresentada pelo autor (até porque é a mesma que, nós cristãos,  ouvimos por toda vida), não achei o livro ruim. Mas pra encher 200 e poucas folhas não precisava tanta lenga-lenga repetitiva.

Poucos dias depois de ter lido esse livro, estive conversando com uma pessoa kardecista, próxima a mim. Eu, católica declarada, mas curiosa, comecei a indagá-lo a respeito de opiniões e conceitos que temos a cerca de temar religiosos os quais divergimos. Foi uma conversa interessante. Venho refletindo desde então. Tenho consciência de que sou bastante influenciavel e facilmente seduzida por explicações coerentes e argumentadas de forma consistente. Dificilmente deixaria de ser católica, nunca imaginei isso, mas confesso que nutro uma grande simpatia pelo  kardecismo. E pricipalmente pelos kardecistas, tive o prazer de conhecer alguns cuja a presença me trouxeram muita paz, segurança e carinho.



Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson (Ed. Cia. das Letras)

Os Homens Que Nâo Amavam as Mulheres com certeza merece o posto de best-seller. Uma narrativa impecável. Um enredo intersessante, recheado com os melhores ingredientes de um romance policial. Aventura. Suspense. Drama. Paixão. Excessos. Loucuras. Devorei num piscar de olhos. Tive uma necessidade incontrolável de seguir Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. A príncipio são persongens com histórias paralelas, cheias revéses. Mas quando se encontram é que a coisa fica boa mesmo. Preciso, urgentemente, adquirir “A Menina Que Brincava com Fogo”, segundo volume dessa trilogia, a Millenium. Recomendo.


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