Tuesday, August 25, 2009

Ser feminina

 

Não sei que intensa magia, teu corpo irradia
Que me deixa louco assim, mulher
Não sei, teus olhos castanhos, profundos, estranhos
Que mistério oculta….rão, mulher

(Mulher - Emilio Santiago)

Não é de hoje que a mulher luta por isso ou por aquilo… e se rebela. Pra começo de história, em pleno paraíso, havia de ser a mulher, e sua incansável insatisfação, a criatura a dar o primeiro passo (ao provar da bendita fruta) rumo a uma nova era. A classe feminina, sempre foi julgada, e subjugada. Fragilidade física, emocional, habilidades manuais supostamente menos importantes, entre outras características,  foram suficientes para que  nos tornassem o gênero inferior. Resignadas, limitadas e ao longo dos anos, religiosamente coagidas, precisamos de tempo para acordar. De tempo e de figuras contestadoras, arredias e conscientes para escreverem a história da Revolução Feminina. Eva, Maria, Cleópatra, Joana D’arc, Princesa Diana, e tantas outras que fizeram e fazem a história. Mas fato é que em algum momento alguém perdeu a mão. O que a principio era uma clara, homogênea e sensata luta por igualdade e respeito (direito ao voto, licença-maternidade, etc), se dividiu. Além de tão nobres motivos, há aquelas que confundem essa busca com a “masculinização da mulher”. Parece estranho, mas não é. Nós mulheres lutamos pelo nosso espaço, mas existem diferenças entre nós naturalmente impostas. Pra começo de história, diferenças físicas externas e internas. Temos limitações. Não aguentamos certos esforços físicos, assim como eles não têm certas habilidades manuais. Eles são mais racionais, nós somos mais emocionais, etc. Diferenças cientificamente comprovadas. Isso não significa que um seja mais importante que o outro. Juntos nos entregamos ao prazer, juntos procriamos, nos completamos. Mas às vezes completar-se parece que não é suficiente pra algumas de nós. Existem os casos extremos daquelas mudam seu corpo, procurando igualar a sua apresentação física à masculina. Mas o que mais me incomoda é o comportamento feminino masculinizado. São palavras, gestos e atitudes, que não cabem a um ser que na natureza tem o privilégio de abrigar uma vida dentro si. Talvez a criatura que aqui escreve esteja encharcada de anos e anos de pré-conceitos e subjugação feminina. Mas além de estereotipação, existem características comportamentais que fazem o que somos, e que asseguram o respeito que tanto buscamos. É da natureza a fêmea ter características provocativas, que garantem a atração do macho e consequentemente a reprodução e perpetuação da espécie. Mas usá-las indiscriminadamente, na tentativa de assegurar um “direito” (a galinhagem típica e físico-hormonal masculina virou direito) causa uma neblina na nossa feminilidade e acende a brasa da vulgaridade. O que ocasiona situações desconfortáveis e macula a imagem feminina. Não estou com isso defendendo a santificação, beatificação da mulher. A mulher tem que se satisfazer sexualmente, intelectualmente, tem que ser feliz. Mas ser mulher é ser gentil. Ser doce sem deixar de ser firme, ser vaidosa, ser inteligente, ser feminina. Isso que nos faz mulher atraente e indispensável, e de forma alguma nos faz inferior.

 

 

Posted by Pan Montenegro at 01:34:05
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