Friday, September 25, 2009

“Tenta achar que não é assim tão mal…

… exercita a paciência
Corta os pulsos no final
Saída de emergência…”
(Pulsos - Pitty)

Não fazia idéia do quanto a irritara. Talvez tivesse mesmo essa intenção, ela já não tinha certeza. Fato é que, sim, ele a aborrecera. As pessoas sabem muito bem como manipular a arte de entristecer. Praticam-na com tamanha maestria que tão logo onde havia girassoís não se vê nem carrapichos. Não entendia porque continuava a se deixar abater. Talvez fizesse o mesmo juízo de si mesma. Por vezes pensara em fugir disso. De tudo. Da contínua satisfação que existia em fazê-la esmaecer. Nada de mochilas nas costas, destino errante, não nutria nenhuma fantasia aventureira (embora o horóscopo teimasse em lhe dizer o contrário). Pensava, sim, em mudar de emprego, de cidade, de estado. Fixar residência e se acomodar com novos horários, novas pessoas. Mas sua natureza acomodada e temerosa acabava por fazê-la desistir. Na verdade julgava ter um “quê” de artista, escritora, pensadora… Parecia fácil escrever sobre suas desventuras, frustrações. Dizia isso como se fosse  para os artistas estritamente necessário produzir sob a tutela de suas angústias. E assim sempre que uma delas lhe “aperreava” de maneira mais incandescente ela despertava sua caneta e “danava” a grafar melancolias. Seu peito arfava em meio a fobias e pânico, enquanto sua mão frenética escrevia desconexas verdades e conclusões exageradas. Por vezes tinha certeza do potencial psicossomático de seus “mal-estares”. Horas ou até dias depois de erupções como essa, seu organismo apresentava sintomas de que algo não ia bem. Não conseguia digerir tudo e os resíduos necessitavam ser eliminados. Como não há um orificio específico por onde pudessem se desprender de seu corpo, tendiam a escapar das maneiras mais inapropriadas. Isso já havia conduzido-na a mergulhos estranhissímos a uma literatura psicanalítica bem danosa a leigos.

Posted by Pan Montenegro at 15:41:30 | Permalink | No Comments »

Tuesday, June 9, 2009

A Farsa

Parecia impossível para ela continuar vivendo aquela vida. Nada estava como queria. A frustração morava em seus olhos, a tristeza repousava em sua face. Suas mãos frias perderam o aperto de mãos firme e caloroso. Seus lábios, a muito,  não tinham, se quer, um sorriso bobo de canto de boca, daqueles que a gente só dispensa quando está sendo educada. Sua face estava cada dia mais pálida. As incertezas dominavam sua mente. Não conseguia mais enxergar suas conquistas. Se sentia fraca…. fracassada. Quase sempre questionava suas escolhas, quando na verdade deveria honrá-las. É muito díficil fazer uma escolha, ela sabia disso. Mas sempre tivera a certeza de que fizera a escolha mais fácil, aquela que não lhe inflingisse riscos, e tinha vergonha disso. Sabia parecer ‘certa’, convicta, quando seu coração estava recheado de dor e medo. Engraçado como, volta e meia, a vida colocava em frente a ela peças a muito movidas e que lhe despertavam uma saudade incontrolável. Era como se fosse um pedacinho de felicidade deixado pra trás. Tinha vontade de correr lá atrás e abocanhar um pedacinnho bom daquilo.

Ao som de : Canções do Vento Sul - Paula Fernandes

Posted by Pan Montenegro at 01:42:36 | Permalink | Comments (1) »

Sunday, June 7, 2009

Coisas que falamos, mas que de fato não correspondem ao que queríamos dizer

Isso acontece o tempo todo comigo. Uma obrigação hipócrita a qual me condiciono pela simples necessidade de manter o bom convívio. Umas vezes para evitar atrito, outras pra provocá-lo; ou  apenas ocultar uma emoção muito ou pouco trabalhada. Isso acaba gerando uma atmosfera artificial. Me sinto incomodada, mentirosa. Não sei até que ponto isso realmente ajuda.  É estranho. Acredito que se uma coisa é verdadeiramente boa não deveria provocar mal-estar, pois devia? Que paradoxo: Faz-se o bem e sente-se mal.

Ao som de: Belissimo Cosi - Laura Pausini

Posted by Pan Montenegro at 03:21:02 | Permalink | No Comments »

Friday, February 13, 2009

Macaquinhos no sotão….

Enquanto ela contemplava suas unhas grandes com vestígios de esmalte vermelho, macaquinhos saltitavam em seu cérebro. Quando criança ela havia lido “O Menino Maluquinho”, e a idéia de macaquinhos saltitando no cérebro quase sempre vinha a sua mente quando ficava matutanto, matutando e endoidando com tanta ‘matutação’. Só macaquinhos no sotão poderiam explicar as maluquices que passam pela cabeça da gente. Ela ainda sentia o cheiro de mofo das cartinhas antigas, dos exagerados cartões que trocavam em família a tanto tempo guardados e que nem fazem tanto sentido atualmente. Eles haviam sido uma família feliz, mas hoje… naõ sei como poderia defini-los. Ela escutava músicas de Vinícius e continuava a olhar suas unhas. Estava triste. Ultimamente essa tem sido sua realidade. Uma tristeza que parece destrui-la. Suas olheiras cada vez mais escuras. Noites sem sono. Preguiça. Choro preso. Necessidade de vida. As unhas estavam grandes como a tristeza que sentia. Ela estava estranha. Ela era estranha. Ela anciava por algo… mas o quê? Acho que ela devia ‘cortar as unhas’ .

Posted by Pan Montenegro at 01:09:15 | Permalink | No Comments »

Saturday, January 17, 2009

Segredos?!!! Qual o seu?

Indiscutivelmente, todos nós, temos segredos!

Às vezes são ‘coisinhas’ que não gostaríamos que viessem à tona pois nos fariam parecer bobos insignificantes. Fatos inofensivos que nos tornariam alvo de risadas zombeteiras, de corar as faces. Características nossas, atos costumeiros, que escondemos por receio de que sejamos excluídos de determinados círculos. Isso é normal, todo mundo se preserva. Outras, são situações sérias. Complicadas de serem expostas. Irremediáveis.

    Ela crescera e se tornara uma mulher difícil de ser classificada. Não pelas suas inúmeras habilidades especiais, e muito menos pela ausência delas. Não era feia, nem tampouco bela. Não era insuportavelmente inteligente, ou estupidamente burra. Não era engraçada ou ranzinza. Não tinha nada que lhe fosse exagerado. Nada que pudesse identificá-la entre milhões. A não ser, pela sua grande capacidade de acumular segredos. Ela era uma caixinha de segredos.
    É engraçado pensar nela dessa maneira. Quem nesse mundo quereria ser o ‘eterno fiel de segredos horrorosos’? Todo mundo quer ouvir belas histórias, e  não mazelas alheias sussurradas em meio a bebedeiras homéricas ou situações de desespero. Mas enfim, não havia como pensar nela e não pensar nos segredos alheios (que só ela sabia quais eram).
    Às vezes sentia vontade de perguntar o que tal pessoa havia lhe contado em segredo, mas logo desistia da empreitada. Ela jamais revelaria. Havia com ela uma espécie de código de honra. Sim, tudo que lhe contavam em segredo ela jamais reproduzia a alguém. Guardaria aquele segredo mesmo se este, algum dia, viesse a não ser mais tão segredo assim. Acho que era isso que estimulava as pessoas a segredarem coisas a ela. Não sei se isso lhe trazia algum tipo de felicidade. Talvez se sentisse útil assim. Não sei.  Fato é que se em algum momento na minha vida eu tivesse algum segredo que eu não mais suportasse carregar, procuraria por ela. Nela eu sabia que podia confiar.

Posted by Pan Montenegro at 18:10:51 | Permalink | No Comments »

Wednesday, December 10, 2008

Em crise…
Mais uma vez!

Tô cansada de tudo. Queria poder ser um avetruz pra enfiar minha cabeça no buraco negro e ser consumida por tudo quanto é força do universo, me esvaindo em particulas que nunca poderiam ser reunidas outra vez, pra humanidade não correr o risco de haver uma outra EU.

Eu peço pra sair, eu peço!!!

Posted by Pan Montenegro at 23:21:33 | Permalink | No Comments »

Wednesday, November 26, 2008

Sangue de Jesus tem poder.

Senhor, Meu Deus acuda!
Que maré é essa, Pai!
Loucura, loucura!

Alguém sabe dizer o que é bom fazer, pra superar rapidamente uma maré ruim?
Sabendo, compartilhe-a.
(Esqueça essa história de banho de sal grosso, ou de ir a Nazaré das Farinhas. Busco uma solução prática e exata.).

Posted by Pan Montenegro at 21:46:31 | Permalink | No Comments »

Sunday, November 9, 2008

Como são cruéis
As pessoas e suas ‘patias’.
Transgridem, matam
Exoneram as outras de suas vidas.
Interrompem sonhos
Fabricam ilusões fétidas
Promovem a dor.

Que a Rachel e a Sabrina descansem em paz!!!

“Ave Maria, cheia de graça. O senhor é convosco. Bendita sóis vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso vente: Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte, Amém!!!”
Posted by Pan Montenegro at 22:50:35 | Permalink | No Comments »

Wednesday, November 5, 2008

Decisão!

Lembro que quando criança um de meus maiores dilemas era ter de decidir entre chocolate branco ou chocolate negro. Encontrar primos suficientes pra montar dois times de queimada. Enfrentar meus pais na hora do almoço e não comer feijão. Mas a gente cresce e as coisas mudam. Aiiii! Queria voltar a ser criança.
Essa semana tive de tomar uma forte decisão que com certeza refletirá na minha vida todinha. Protelei o máximo que pude. Claro que essa decisão foi tomada influenciada por toda uma conjuntura ‘catastrófica’ (não perdi esse meu lado criança, sou hiper exagerada), mas foi uma decisão minha. Me senti cobrada, por não ter feito o que a maioria esperava de mim. Sim, ainda me deixo influenciar pelas expectativas que criam a meu respeito. Isso que dá ser considerada uma pessoa ‘certinha’. Fico pensando no que teria sido se tivesse tomado o outro caminho, talvez não tivesse dado certo, como eu tinha receio. Mas, enfim, não saberei. Me resta agora encarar a escolha feita e correr atrás do que realmente quero.

Coragem, garota! O mundo está aí e ele não vai fazer um ‘break’ pra lhe perguntar pra que lado quer que ele gire. Corre atrás, anda!

Posted by Pan Montenegro at 02:14:51 | Permalink | No Comments »

Wednesday, September 17, 2008

..a mil!

Minha cabeça está a mil!
Nossa quanta pressão.
‘Haja psicologia’ pra aguentar.
Tô na iminência de ser convocada pra admissão num concurso que fui classificada, mas pra que eu possa ser admitida no tal eu tenho que cumprir uma série de exigências. Uma delas é retirar meu nome do Serviço de Proteção ao Crédito(SPC) e  afins. Caraca, meu! Isso tá dificil, viu? E não fui eu que fiz a dívida. Alôôô!!! A pessoa pra quem eu emprestei meu nome, meus cheques, tem dinheiro pra receber, não consegue receber e pagar a dívida, me liberando dessa infâme condição de inadimplente. Aff!  O coitado tá numa pressão danada. Ele sabe que está tirando de mim a possibilidade de um emprego estável. Mas, o que fazer? Correr atrás e colocar nas mãos de Deus!
Que Deus nos abençoe!

Amém!

Posted by Pan Montenegro at 00:18:46 | Permalink | No Comments »