Ando tão impaciente. Tudo me estressa. Falta tudo. Mas, sem dúvida, o maior problema daqui de casa tem sido a falta de grana. O mal humor da minha família já atingiu níveis inimagináveis. Todos se tratam mal, coisa de louco, uma zona. Nunca fomos ricos, mas nunca estivemos tão sem grana assim. Pelo menos não desde que me entendo por gente. Tá, eu sei todo esse
blá blá blá de que existem famílias bem mais numerosas que vivem com bem menos, mas nem por isso eu sou obrigada a aceitar
isso que estamos vivendo. Ainda tem essa história da grana que temos pra receber da venda
daquele imóvel, que parece não querer sair de jeito nenhum (ah.. mas vai sair sim. Ah, se vai!). Minha mãe aposentada (aposentou-se cedo, diga-se de passagem) que auto se impõe a tarefas domésticas enquanto reclama que não sai de casa, que queria outra vida e tal. Poxa. Vai .. sai… faz o que quiser. Meu pai, desempregado… vixe, tá loucura isso!
Deus me mostra a porta que eu quero descer.
No trabalho… 
Ah o trabalho!!! Adoro atendimento ao público. Me identifico com essa interação. Mas sempre tem aquele usuário que vai ali só pra te encher o saco, enquanto finge que precisa do serviço. É histórico a má concepção que a população tem a respeito do servidor público. Mas com certeza é injusta .Por causa de meia dúzia todos são punidos com insultos e comentários maldosos. Fico chateada e estressada. O meu setor por exemplo, lida com dinheiro. É cobrada uma taxa pelo serviço que oferecemos. E todo esse valor e depositado, ao fim do dia, numa conta do governo. Os fiscais vêm regularmente conferir o atendimento. E os relatórios são enviados frequentemente, prestando conta do valor recolhido. Ainda sim, a população nos insulta, insinuando que aquele dinheiro está indo pra nossos bolsos e etc. Se o dinheiro é desviado, tenho certeza de que não é por nós, que estamos aqui no fim do processo. Agora, depois de depositado não temos como garantir que destino é dado a ele. Todo o serviço que prestamos está sujeito a uma série de exigências. Não preenchidos esses requisitos não podemos prosseguir o atendimento. Outro dia um usuário disse estár disposto a pagar uma certa quantia (bem acima da taxa cobrada) se seu ‘problema’ fosse resolvido sem a necessidade de se cumprir os requisitos básicos. Propina? Sim. Suborno, ou seja lá o que for. Isso insulta o trabalhador honrado que vai ali cumprir o seu dever com toda dignidade e disposição possível.
Realmente não há rosas sem espinhos.