Sunday, September 10, 2006

Eleições 2006: em quem votar?

Antes de mais nada, não concordo com a obrigatoriedade do voto. Vivemos numa democracia e deveria ser direito da população o voto facultativo, independente da idade. Essa “historinha” de voto compulsório é só pra facilitar a compra do mesmo. Por falta de instrução -  deficiência das gestões não comprometidas com a educação, que tão pouco se preocupam em qualificar e efetivar o ensino no Brasil, muitos cidadãos brasileiros não têm discernimento do que é certo ou errado. Acostumados com inúmeras dificuldades: saúde, alimentação, moradia, educação, etc; sem nunca  ter visto o cara em quem votou nas eleições anteriores fazer coisa alguma por sua região, cidade ou família, aceita obter uma cesta básica ou  um saco de cimento por um voto seu (aqui no interior isso é muito comum) e assim atrela o seu destino e o de muitos a um parlamentar corrupto e ineficiente. Não adianta obrigar a população a votar, se as opções são tão horrorosas ou se a grande maioria não é letrada (de “Letramento” por Magda Soares) a ponto de exercer o voto com consciencia e compromisso.

Embora eu proteste, o voto continua sendo uma obrigação. Uma obrigação que sinto prazer em cumprir, porque já tenho a consciência efetiva do que posso fazer com ele, e só nestas condições aceito sua obrigatoriedade.

Foi com esse voto que, a quase quatro anos, elegi Luís Inácio Lula da Silva (PT/PRB/PCdoB).  Foi com esse voto que descobri o poder de um voto. Fui capaz de eleger um cidadão que embora portador de um discurso que se assemelha a voz do povo, não foi capaz de honrar a confiança do mesmo. Escândalos rechearam sua gestão, e ele aquém de tudo. Declarou ter tomado conhecimento de tantos demandos ao mesmo tempo que nós, com as declarações de Roberto Jefferson e a divulgação da imprensa. Coisa que talvez devamos acreditar, uma vez que esse cidadão se comportou como presidente de palanque e durante seu governo esteve mais vezes fora do palácio do que cumprindo seu dever e horário em gabinete. Viagens pelo mundo, como ele bem lembra em sua campanha na TV “eu conheço o mundo e o mundo me conhece”, o que eu particularmente considero uma pretensão, talvez. A não ser que ele se refira àquela reportagem que estampou página do “The New York Times”, se não me engano, retratando as habilidades que o mesmo possui com copos e garrafas de bebidas. Ou outros tantos “showzinhos” ocorridos em seu mandato.

Talvez eu use meu voto em Geraldo Alckimin (PSDB/PFL), ex- governador de São Paulo. Mas pensando bem, se não foi capaz de conter a guerra civil de um estado, como o fará com um país? (E como fomos capazes de votar em Lula, hein? Nem experiência anterior ele tinha.)

Heloísa Helena (P-SOL/PSTU/PCB), senadora. Um nome forte, mas uma nação não vive de nomes. Ainda sim, talvez, ela seja o candidato com o qual eu mais concorde. Sempre defendeu suas idéias com veemência e sem titubear. Tá certo, que essas sejam caracteristicas da maioria dos candidatos, afinal são com elas que na maioria das vezes convencem as pessoas, mas sua vida simples, sua história, e até sua desfiliação do PT lhe conferem certa credibilidade. A considero muito radical em certos pontos, o que me faz titubear em relação a um voto.

 Cristovam Buarque (PDT), ex- ministro da Educação. Conhecido como o presidente da Educação. Eu como pedagoga, defendo com unhas e dentes melhorias na qualidade do ensino brasileiro, desde melhor remuneração para os professores, edificações adequadas, à recursos didáticos, mas não acredito que se consiga melhorar o Brasil e a qualidade de vida de nosso povo somente com a educação. Não há apenas um problema em solo brasileiro, e sim vários problemas. Cristovam aborda vários pontos em seu plano de governo, mas só enfatiza a educação. Ter na sua carreira política apoio de pessoas como Paulo Freire (Pedagogia Libertadora, Pedagogia do Oprimido) e Darcy Ribeiro (e sua militância pela educação que lhe rendeu o nome da Lei 9394/96 - Lei  de Diretrizes e Base da Educação Nacional ou Lei Darcy Ribeiro) é importante e significativa, mas não lhe rende meu voto. Introduzir o Bolsa Escola foi uma boa idéia, que deveria ter sido encarada como medida provisória e não como um renda permanente.

 José Maria Eymael (PSDC) (não foi possível acessar esse site, mas o link tá ai)

 Luciano Bivar (PSL)

 Ana Maria Rangel (PRP) (não encontrei o site com sua proposta de programa de governo)

 Rui Costa Pimenta (PCO)

 

Fiz um breve comentário de alguns candidatos, expondo meus pontos de vista. As opções são essas, mas mesmo assim me pergunto: em quem votar? Vocês já se decidiram? Em quem vaõ votar? Deixe seus argumentos, talvez consigamos refletir e chegar à melhor solução para o Brasil!

 

Posted by Pan Montenegro in 21:35:04 | Permalink | Comments (2)