Saturday, July 4, 2009

Era só uma questão de tempo. Logo, ela caíria em si. Era óbvio que se tratava de uma situação constrangedora… tudo ia passar. Bastava fingir como tantas outras vezes fizera. Um sorriso plástico no rosto mantido por alguns minutos, e na primeira oportunidade… cairia fora. Pronto. Seria mais um capítulo encerrado.  Mais uma sensação de ‘pequenice’. Mais uma lembrança ridícula que ela coloraria no velho pote de frustrações.

Ao som de: Uninvited - Alanis Morissette

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Wednesday, April 8, 2009

‘Siga onde vão meus pés, que eu te sigo também…’

   Tenho de confessar. Não posso esconder… eu pequei. Pequei porque não me aguentei e dirigi olhares de cobiça pro homem alheio. Sabe aquele tipo de pessoa que não tem nada demais, mas de alguma forma chama a atenção? Assim foi. O cara passou a vez dele pra mim (a garota estabanada que sempre tropeça e quase cai), e tipo… nem me cantou, nem nada! Eu ’secando’ ele, e ele nada. Será que foi isso que chamou minha atenção? O fato dele nem ‘tchum’ pra mim? 
   “-Descrição, descrição, descr…”
   Tá bom, já vai: o cara estava de calça social escura, camisa social verde, sapatos combinando, cabelo penteado, pele branca,  óculos, 1,70m e poucos de altura, na casa dos trinta, barba feita. Sabe aquele furinhos no rosto? Ai, ele tinha. Educado, sabe! Lembrei de minha prima Doce falando da importância de sempre estar maquiada e de cabelo tingido e escovado, “Nunca se sabe né? A gente pode encontrar o grande amor de nossas vidas ao dobrar a  esquina, quando saía pra comprar pão. E eu quero estar linda quando eu encontrá-lo”. Ódio! Eu estava descabelada, o pó e o rímel já tinham ido embora a muito tempo. Um calor danado, grudenta… aff! Sem chances! Nada a ver! …nada a ver eu ficar pensando nesse cara, gente. Ele só passou a vez pra mim. E com certeza, solteiro não deve ser. Se num for casado, é gay. Bem que tinha um japa com ele… mas verdade seja dita, o cara não tinha jeito de bicha. Ele só não me ’secou’ quando olhou pra mim. Será que eu tô tão ’sem sal’ assim? Acho que as minhas ‘pochetinhas’ estão, de fato, me atrapalhando. Ai gente.. que coisa!

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Wednesday, March 25, 2009

A ‘25 de Março’ das Emoções *

Estou loucamente reflexiva. Todo e qualquer acontecimento, por menor e mais banal que pareça,  tem desencadeado em mim momentos de reflexão. Estou pirando. Se fosse detalhá-los aqui acho que venceria a barreira dos dias nebulosos do outono com comentários tolos e subjetivos passíveis de alteração. No entanto/ todavia/contudo/porém, preciso fazer um pequeno comentário que nem de longe abrange a gama de coisas sobre as quais tenho pensado.

Ao estabelecermos metas para nossas vidas, metas que buscamos com coragem (ou nem tanto), traçamos uma escala de prioridades que nem sempre vai de encontro à de Maslow, e com frequência renega valores primários comprometendo nosso bem-estar, nossa saúde. Talvez na elaboração dessa lista de prioridades esteja e responsabilidade pelas mazelas de nossas vidas. Nos tornamos ‘cegos’. O que importa são nossos objetivos. Comum não prestarmos atenção aos que estão a nossa volta, porque estamos muito preocupados com o futuro, com o que determinamos que seríamos. Contudo, apesar da rudeza do mundo, surgem pessoas desprendidas e solicitas que fazem com que acreditemos que ainda existe esperança. Pessoas que por alguns momentos nos tiram de todo aquele egoísmo e narcisismo em que mergulhamos todos os dias e nos fazem acordar pro quanto precisamos uns dos outros. Do quanto a solidão incomoda.

* Uma alusão a famosa Avenida de São Paulo, conhecida por abrigar o mais variado número de lojas de artigos diversos. O que você procura, com certeza encontrará na 25 de Março.

Palavras- chave: altruísmo, saúde, prioridades, solidão.

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Thursday, March 19, 2009


  Passo a passo, ela caminhava. Absorta em maliciosos pensamentos, ela seguia. O vento entrecortava os negros anéis de seus cabelos. O vestido roçava-lhe a cintura de forma graciosa . Seu corpo exalava uma fragância doce e feminina. E numa cadência perfeita, ela driblava os obstáculos do caminho. Vez por outra seus olhos cruzavam-se com os de alguém. Não, ela não estava flertando. Ou estava? De qualquer forma ela parecia o centro das atenções. Felicidade tem esse dom. Extravasa.

Ao som de: Dreams - The Cranberries 

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Saturday, March 7, 2009

… o resto é boi dormindo…


“E tome tento/ Fique esperto
Hoje não tem papo
Jogo-lhe um quebrante
Num instante/ Você vira sapo
Bobeou na crença
Príncipe volta/Ao seu posto
De lenda…”

(Lenda /Céu)

Eu não tenho medo de lagartixas (bibas, taruíras). Até simpatizo com as coitadinhas. Tenho uma morando no meu quarto, acaba com qualquer besouro atrevido que decida invadir meu território. Mas por favor não me fale em sapinhos, rãs, pererecas. Eu ‘dou um treco’ só de ver. Tenho pavor, horror, terror desses bichinhos. Quando eles pulam eu me desestruturo toda. Pra que lado foram? Estão no meu cabelo? Na minha roupa? Há poucos dias houve uma infestação deles aqui na redondeza. A varanda aqui de casa parecia hospedaria desses anfibiozinhos. Alguns ousaram entrar em casa, pra meu desespero. Apareceram até em meu quarto…aff! Tenho um violão encostado no quarto. Só me lembrava da “Festa no Céu”, e o sapo espertalhão que se esconde dentro da viola do urubu pra entrar na festa da qual não foi convidado. Tinha de conferir o violão antes de dormir, pra ter certeza de que não havia nenhum escondido ali. Só assim conseguia dormir em paz!

Toda essa história de bibas e pererecas, surgiu da lembrança de um fragmento de conversa de hoje.
Por que temos medo? Esse medo ruim, que nos poda?

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Sunday, March 1, 2009

“Ando por aí, querendo me encontrar…”

   Ela decidira caminhar aquela tarde. Caminhar sempre lhe fizera bem. Tênis branquissímos nos pés, camiseta larga, cabelos escuros cacheados presos num estratégico rabo-de-cavalo, calça justa e escura sob as pernocas branquelas, vestida para andar. Ela adora esse visual. Se não fosse sua pouca estatura, adotaria esse conforto em sua vida diária, mas de fato parecia mais baixinha quando se vestia assim.
   Saiu de peito aberto, disposta a enfrentar a rua, o sol, a leve brisa. A cada passo se sentia mais afastada daquilo tudo, parecia estar se libertando de uma prisão. Seus pensamentos iam longe. Cada passada mais rápida era como se as amarras, as correntes, fossem deixadas para trás. Sua mente frenética elucidava situações, dissipava rumores, e corria, embora ela mesma ainda estivesse andando.
   Toda a sua existência parecia chata. Tudo estava do jeito que ela não queria. Quanto mais longe estivesse, mais feliz se sentia. E assim ela caminhava. Sem lenço, sem documento, com uma malha bem justinha e um sorriso no rosto. “Eu ainda posso andar. Eu posso!”

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Friday, February 27, 2009

Feminilidades


    Quando eu era mais nova, tipo 11, 12 anos, minha mãe e tias começaram a nos ensinar, a mim e minhas primas de mesma faixa de idade, coisas tipicamente femininas. Acho que isso acontece com a maioria da mulherada. Ensinaram-nos a cozinhar arroz (parece que sempre começa pelo arroz). Orientaram-nos a limpar a casa, observando isso ou aquilo. A lavar roupas. E o negócio foi indo. Um coisinha ali outra acolá. Inventaram de ensinar-nos ponto-de-cruz e crochê. Gente o que é isso? Levo jeito não. Que negocinho mais chato. Contar casinhas e trabalhar com linhas e agulhas não são meu forte. Até porque tenho pavor de agulha. Me lembro das histórias absurdas que vovó contava, de mulheres que sentiam coceira na cabeça e quando iam ver uma baita agulhona saia do seu cuco, ou ainda a história do garoto que teve uma agulha alojada no coração que quase o fizera dizer adeus a essa vida antes da hora. De qualquer forma, toda vez que aprendiamos ou fingiamos ter aprendido alguma habilidade nova aparecia um engraçadinho: “Essa daí  já  pode casar!” Acho que sempre fui meio feminista. Detestava tudo aquilo. Será que pra casar toda mulher tem que aprender essas ‘coisinhas’? O cara quer uma mulher-amante-parceira ou quer uma empregada-doméstica-costureira?
     Fato é que eu não sei cozinhar (cozinho arroz e frito bife, faço salada e bolo com mistura pronta, vale?)¹. Não sei pregar botão (preguei três hoje², será que ficou bom?). Não sei bordar (aff!). Será que vou casar? Não riam. É sério. Me bateu um bipolar-triplo-carpado³ a la Xuly, hoje. Todas as mulheres do mundo (leia-se: as mulheres com as quais convivo diariamente) resolveram ter filhos, bordar toalhas e enxovais, cozinhar pratos quentes e sobremesas complidadérrimas, estou totalmente sem assunto. Será que vou ter que aprender a bordar, pra me sentir novamente inserida no universo feminino?

¹. Tenho mais duas ou três receitinhas um pouco diferentes, será que passo no teste “Pronta pra casar”?
². Resolvi customizar basicamente uma camiseta que comprei hoje. Confesso que estou nutrindo uma vontade de fazer um curso de corte e costura.
³. Xuly, minha amigona, sofre de Bipolar-Triplo-Carpado. Uma doença rara que faz com que ela mude de humor repentina-brusca-enloquecidamente e mate-nos de tédio e risada com sua cara engraçadamente assustadora-mal-humorada-por-pouco-tempo. (lembrem-se, sou um pouco hiperbólica.) (Ah e pra todos e qualquer efeito,  não existe essa doença.)

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Será que ele é?

Ela não tinha muita certeza… Será que era esta a resposta? Tá que ele é bonito, ela não podia negar. Alto. Cheiroso. Charmoso. Inteligente. Vaidoso. Hum… Meio obceno. Desbocado (Aff)¹. E o pior, GAY. Será que ele é mesmo GAY? Não, ela tinha quase certeza. Não seria possível, seria? Um cara na casa dos trinta com essas qualidades e solteiro? Solteiro de tudo. Sem piriguete nenhuma pra não ficar no atraso. Tem caroço nesse angu. Mulher se segura melhor. Disfarça. Mas homem… sei não. Seria mesmo ele a melhor opção? O que vale mais: um cara burro e homem ou um cara inteligente e ‘mei’ gay?

                                         Kevin Kline em cena do filme “Será que ele é?”

Ela estava meio ‘bolada’ com isso. Tentava analizar as opções. O que lhe restava? De repente teve um susto. Acho que ela atraía gays. Sim. Fazendo o restrospecto… O seu Sex Appeal não estava funcionando muito bem como ela queria. Ela havia lido uma matéria numa revista que falava sobre a influência do xixi da mulherada da feminização do mundo². Sim. Isso mesmo que vocês leram. Parece que o nosso xixi anda eliminando muito hormônio feminino - consequência do uso de anti-concepcionais. Esse xixi vai pro solo, o solo gera os alimentos, o homem come esses benditos alimentos e viram gays. Um absurdo isso. Imagina, colocar a culpa da viadagem masculina em cima da gente…! Eles (os homens que restam) querem evitar filhos tanto quanto nós.

Fato é que toda essa história de viadagem masculina e solterice feminina andou mexendo com a cabeça dela. Verdade que bateu uma tristeza nela. Ela estava disposta a fazer uma campanha contra os anticoncepcionais, vai que essa matéria da Revista Planeta tem fundamento, digo fundamento mesmo.

¹. Acho que traz para o homem um ‘quê’ de virilidade, palavrões e obcenidades (guardadas as devidas proporções). Não estou fazendo apologia a nada. Mas apesar d’eu não gostar de palavrões  - que mulher gosta?, eu sempre acho duvidoso a ausência de determinadas expressões na boca masculina. Assim como a presença de outras (Cruzes! Credo! Tenso). 
². Matéria publicada pela revista Planeta de xxx de 2008.

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Friday, February 13, 2009

Macaquinhos no sotão….

Enquanto ela contemplava suas unhas grandes com vestígios de esmalte vermelho, macaquinhos saltitavam em seu cérebro. Quando criança ela havia lido “O Menino Maluquinho”, e a idéia de macaquinhos saltitando no cérebro quase sempre vinha a sua mente quando ficava matutanto, matutando e endoidando com tanta ‘matutação’. Só macaquinhos no sotão poderiam explicar as maluquices que passam pela cabeça da gente. Ela ainda sentia o cheiro de mofo das cartinhas antigas, dos exagerados cartões que trocavam em família a tanto tempo guardados e que nem fazem tanto sentido atualmente. Eles haviam sido uma família feliz, mas hoje… naõ sei como poderia defini-los. Ela escutava músicas de Vinícius e continuava a olhar suas unhas. Estava triste. Ultimamente essa tem sido sua realidade. Uma tristeza que parece destrui-la. Suas olheiras cada vez mais escuras. Noites sem sono. Preguiça. Choro preso. Necessidade de vida. As unhas estavam grandes como a tristeza que sentia. Ela estava estranha. Ela era estranha. Ela anciava por algo… mas o quê? Acho que ela devia ‘cortar as unhas’ .

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Tuesday, September 9, 2008

Não sei…

As horas passavam e ela não conseguia entender. Era um misto de preguiça, esperança, ansiedade, desejo e fé. E não era nada disso. Era uma ausência de certeza, ao mesmo tempo um convicção de que daria tudo certo. Era dúvida. Era confusão.
Aquela sensação morna tomava conta do seu ser. Cada passo, cada pensamento, cada batida do seu coração, cada palavra, cada sonho, cada medo, tudo se fundia numa inebriante parábola de vida. Perfeito paradoxo, como só a existência consegue ser.

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