Para Leminski
Se me olham de esguelha
Já me sinto aflito.
Se tenho o presente
Encontro o que me conforte.

É humano
É errado
Indiscreto, apaixonado.
É distante
Fascinante
Excitante e muito vago.
É plano
É sonho
É concreto e abstrato.
Ao som de: A Pessoa Errada - Paulo Ricardo
Uma canção de amor jogada ao vento
pela boca de um anjo sedutor,
acertou-me como uma flecha
me causando desconforto
e entorpecendo o meu humor.
Se eu tivesse um fragmento mais de tempo,
um ‘naco’ de eternidade,
demovia esse sofrimento
detetizava minha alma.
Que odisséia, vejam só.
Minha pessoa viveria
Ilusão, tormentos,
sonhos, contratempos
Travados dias a fio
Pra que no fim de tudo
me restasse ’a fantasia’.
[De Isolda, Julieta, Madalena, Maria...]
Uma epopéia sentimentalóide, eu escreveria.
Versos loucos e generosos
de uma aventura desvairada,
grafados por uma anedótica criatura
numa jornada anestesiada.

Destino, Sorte ou Azar
Certeza, Caminho, Céu e Mar
O que nos leva até lá?
Ao som de: Além do que se vê - Los Hermanos
Preciso exorcizar meu peito
Não se assuste comigo
Tenho todo direito.
Sou ser sem sentido
Tenho o peito cheio
Amores de mim esquecidos
Saudades até o meio.
…

Quanto será suficiente
Pra que passado e futuro
Se tornem meu presente?

Seguindo seus passos
Achei espaço
Pra um laço.
Um amor que se vai
É uma folha que cai
É um grito de ‘Ai’!
Um tempo que não volta
Um abraço sem troca
Uma palavra que revolta.
Uma vida sem cor
Um descuido do cantor
Um verso de dor.
Ah! Que triste sentença
Ter muitas lembranças
Mas não ter sua presença.
Ela caminhava pela rua,
Enquanto seus pés eram enredados pela lama
Sua cabeça nutria fantasias.
Aquela figura pálida nua
Tinha coberta pelos cabelos, as faces em chama
Nas mãos poesias.
Sua pele tremia, fria
Seus olhos ardiam em brasa
Sua boca entreaberta, sorria
Seus braços pareciam asas.
Desesperado, em seu encontro ele partiu.
Partiu com a alma repleta de sonhos
Queria compartilha-los com ela.
Além da neblina, tinha um céu anil.
E todos aqueles planos risonhos
Juntos fariam da vida, aquarela.
Passa dia, passa hora
Ora bolas, que demora!
Não demora, colabora
Me espera, não implora
Quantos passos tem o acaso,
Caso queira minha casa?
Minha alma peça rara
Não rara a hora escassa.
Um dia sem pressa
Você se apressa e me alcança
Não me cansa expressar
O quanto o prezo.
-Dança?
Ao som de: Bandolins - Oswaldo Montenegro